CITOMEGALOVÍRUS NA INFÂNCIA E SEU COMPROMETIMENTO NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Autores

  • Caroline Fergus Candido Silva
  • Marlon Eduardo dos Santos Rodrigues
  • Mayra Curvo Figueiredo Goulart
  • Micaelly Fergus Silva Candido
  • Taís Dias Cardinal Ferraresso
  • Marcel Wiley Cavalcanti Maciel

Resumo

Introdução: O citomegalovírus (CMV) ou herpesvírus humano do tipo 5 possui alta prevalência e é a causa mais comum de infecção congênita viral. É transmitido por meio do contato de fluidos biológicos e dentre as manifestações clínicas mais comuns decorrentes da infecção congênita cita-se a prematuridade, o atraso no neurodesenvolvimento, a microcefalia e as calcificações intracranianas. O diagnóstico laboratorial de escolha visa o menor custo e maior agilidade e pode ser alcançado por várias técnicas, a exemplo a sorologia com determinação específica de anticorpos IgM e IgG anti CMV e a antigenemia para CMV, sendo de grande relevância para um rastreio precoce da infecção e prevenção de maiores complicações. Diante disso, este trabalho teve como objetivo relatar a experiência do rastreio e acompanhamento de um lactente infectado intra-útero com CMV, em decorrência de um pré-natal tardio e inadequado. Descrição: As consultas de puericultura fazem parte da promoção de saúde e possibilitam avaliação adequada do crescimento e desenvolvimento (CD) da criança. Em uma Unidade de Saúde da Família do Município de Várzea Grande, foram realizadas 8 consultas de puericultura de um lactente, nascido com peso de 2480 g (Z escore -1.9), 46 cm de estatura (Z escore -2), 33 cm de perímetro cefálico (Z escore -1) e IMC 11,80 (Z escore -1.4). Esse, ao 1 mês e 2 semanas de vida compareceu a consulta de rotina com presença de lesão nodular em região parietal esquerda de aproximadamente 4 cm, de aspecto fibroelástica e móvel, o qual foi encaminhado a teleconsultoria neuropediátrica e solicitado ultrassom (US) transfontanela e de partes moles, que apresentou discreta dilatação ventricular simétrica lateral, com pequena coleção subgaleal direita e deformidade da calota craniana, sem alterações de desenvolvimento ou demais queixas. A seguir, em consulta aos 6 meses de idade mostrou desenvolvimento inadequado segundo DENVER II, com atraso em motor fino e alerta em motor grosso, associado a alteração espástica assimétrica de membros ao exame físico e perímetro cefálico de 39,5cm (Z escore -3,4), indicando microcefalia. Com isso, foi-se solicitado uma Tomografia (TC) de crânio, um eletroencefalograma (EEG) e exames laboratoriais específicos, que demonstraram presença de anticorpos anti CMV e confirmou-se IgG reagente (126.6) e IgM ind (0.93), além de focos calcificados periventriculares bilaterais e hipoatenuação da substância branca profunda. Ademais, nas seguintes consultas de acompanhamento multidisciplinar percebeu-se uma progressão no atraso do desenvolvimento segundo DENVER II, com comprometimento nas categorias de motor fino, motor grosso, linguagem e pessoal-social. Na última consulta, realizada com a idade de 11 meses, foi observado manutenção da curva de peso (Z escore -1.9), aceleração da curva de estatura, (Z escore -0.9), lentificação da curva de perímetro cefálico (Z escore de -2.3) e leve decréscimo da curva do IMC (Z escore -1.9). Com isso, iniciou-se também a investigação de perda auditiva por meio da solicitação do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) e apesar de alguns valores antropométricos estarem abaixo do esperado, o paciente apresenta um aumento significativo da estatura associado a um desenvolvimento comprometido, porém ainda sem incapacitações graves. Considerações Finais: A partir da avaliação do lactente, pode-se concluir que CMV pode afetar tanto o crescimento como o desenvolvimento neuropsicomotor do infectado, ocasionando um problema de saúde pública que deve ser captado na rede de atenção básica ainda durante as consultas de pré-natal e puericultura. Sendo assim, o diagnóstico precoce, possibilitado por um pré-natal adequado, favorece um melhor prognóstico da doença que, conciliado com atendimento multidisciplinar possibilita amenizar os danos, melhorando assim a qualidade de vida do paciente. Palavras-chave: Pediatria. Citomegalovírus. Deficiências do desenvolvimento.

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Publicado

2022-11-29

Como Citar

Silva, C. F. C., Rodrigues, M. E. dos S., Goulart, M. C. F., Candido, M. F. S., Ferraresso, T. D. C., & Maciel, M. W. C. (2022). CITOMEGALOVÍRUS NA INFÂNCIA E SEU COMPROMETIMENTO NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO INFANTIL. Anais Da Mostra Científica Do Programa De Interação Comunitária Do Curso De Medicina, 5. Recuperado de https://periodicos.univag.com.br/index.php/picmed/article/view/2131