ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DA MENINGITE ENTRE 0 A 19 ANOS NO ESTADO DE MATO-GROSSO

Autores

  • João Gabriel de Perboyre Bonilha
  • Ayla Catarina Scalco
  • Caio Leonardo dos Santos
  • Henrique Geller
  • Ilmar Silva e Sousa Filho
  • João Vitor de Figueiredo Costa Maluf
  • Luís Fernando Bozeli Filho
  • Mariana Torres

Resumo

Introdução: A meningite consiste em uma inflamação das meninges cranianas, pode ser causada por processos infecciosos e não-infecciosos (distúrbios autoimunes, neoplasias/síndromes paraneoplásicas e reações a medicações). Com relação aos processos infecciosos, os principais patógenos envolvidos são os vírus, bactérias e fungos. A meningite viral é a forma mais comum tendo como principal agente etiológico o enterovírus, no entanto a forma bacteriana possui maior taxa de mortalidade e tem como os principais agentes etiológicos Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Já as meningites fúngicas são mais comumente causadas por infecções oportunistas. O quadro clínico clássico é caracterizado por sinais e sintomas de um processo infeccioso como febre, mal-estar, prostração e fotofobia, associados com os de síndrome de irritação meníngea. Hipertensão intracraniana pode estar presente, com cefaleia, vômito e edema de papila em casos mais prolongados. Em recém-nascidos e lactentes a sintomatologia pode se limitar a recusa do alimento, vômitos, apatia, irritabilidade, palidez e/ou cianose, hiper ou hipotermia; e a fontanela pode estar abaulada. Objetivo: O objetivo do presente trabalho é traçar uma análise epidemiológica da meningite entre os anos de 2011 e 2021 na faixa etária de 0 aos 19 anos no estado do Mato Grosso. Métodos: Trata-se de um estudo transversal com dados secundários obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do SUS, através do DwWeb. As variáveis selecionadas foram número de casos, ano de notificação, município de internação, sexo, raça, faixa etária, critério de confirmação, classificação da Meningite e evolução do caso. Resultados: No estado do Mato Grosso, entre os anos de 2011 a 2021 foram notificados 809 casos de meningite com base nos critérios selecionados, sendo os municípios de Cuiabá (30,78%), Cáceres (16,81%), Sinop (14,09%) e Rondonópolis (11,87%) com os maiores números de internações. O sexo masculino foi o mais acometido com um total de 495 casos (61,19%). Com relação a raça, os pardos corresponderam a 51,67% e a raça amarela foi a menos acometida com apenas 1,98%. A faixa etária com maior incidência foi nos menores de 01 ano, com um total de 211 casos (26,08%), sendo seguido pela faixa entre 01 a 04 anos, a qual correspondem a 195 casos (24,10%) e entre 05 a 09 anos com 183 casos (22,62%). A faixa etária com menor acometimento foi entre 15 a 19 anos com 11,74%. Os critérios de confirmação de casos mais utilizados foram o quimiocitológico do líquor representando 61,43%, cultura com 11,25% e o critério clínico com 11,12%. Com relação a classificação da meningite, os dados analisados demonstraram que dentre o total de casos, 313 casos (38,69%) foram por Meningite Asséptica, seguido por Meningite não Especificada com 233 casos (28,80%) e Meningite Bacteriana com 128 casos (15,82%), as demais etiologias somam 16,69%. Por fim, do total de casos, 88,38% evoluíram com alta, 9,39% evoluíram com o óbito por meningite e 2,22% óbito por outra causa. Considerações finais: Dessa forma foi possível avaliar os principais aspectos epidemiológicos da meningite no Mato Grosso, destacando: maior incidência em crianças mais novas, predominância no sexo masculino, mortalidade aproximada de 10% e tendo como etiologia principal a meningite asséptica, sendo um ponto desafiador no diagnóstico de tal patologia. Palavras chave: Meningite; Neisseria meningitidis; Sistema Único de Saúde.

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Publicado

29-11-2022

Como Citar

Bonilha, J. G. de P., Scalco, A. C., Santos, C. L. dos, Geller, H., Sousa Filho, I. S. e, Maluf, J. V. de F. C., … Torres, M. (2022). ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DA MENINGITE ENTRE 0 A 19 ANOS NO ESTADO DE MATO-GROSSO. Anais Da Mostra Científica Do Programa De Interação Comunitária Do Curso De Medicina, 5. Recuperado de https://periodicos.univag.com.br/index.php/picmed/article/view/2168