PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO DOS ACIDENTES OFÍDICOS NO ESTADO DO MATO GROSSO

Autores

  • Amanda Bitanti
  • Geovana Carolina Campos Silva
  • Isabelle Lays de Castro Ferrari
  • ulia Gomes Marcidelli
  • Lorena Vargas Botelho
  • Rosa Maria Elias

Resumo

Em 1986 no Brasil houve uma escassez de soro antiofídico, antídoto para picada de serpentes, isso gerou grande comoção nos centros de saúde que optaram em tornar os acidentes ofídicos de notificação compulsória para que o Ministério da Saúde conseguisse melhor distribuir e racionalizar as poucas reservas do antídoto que possuíam. Entretanto, na atualidade, essa obrigatoriedade foi flexibilizada em virtude da produção e aquisição satisfatória do soro antiofídico. Em virtude da recorrência de acidentes, os envenenamentos por serpentes foram subdivididos em 4 grupos, sendo eles Botrópico no qual as jararacas são responsáveis pela maioria dos casos, Crotálico que corresponde as cascavéis, Laquéticos que são o grupo Surucucu-pico-de-jaca e por último o Elapídico composto pelas corais verdadeiras. Objetivo: Levantar dados e discutir acerca do perfil epidemiológico dos acidentes ofídicos ocorridos no estado de Mato Grosso entre 2018 e 2022. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal com dados de acidentes com animais peçonhentos ocorridos em Mato Grosso no período de janeiro de 2018 a dezembro de 2022 obtidos a partir do repositório da secretaria de saúde DW web SES MT. Foram incluídas no estudo as variáveis sociodemográficas e relacionadas ao acidente. Os dados foram analisados pelo programa Epi info versão 7.0 com resultados descritivos apresentados como frequência absoluta (n) e relativa (%). Resultados: Foram analisados 2401 casos, sendo que a maioria ocorreu no ano de 2019 (23,95%), no mês de abril (11,35%) e na zona rural (86,93%). Prevaleceu o sexo masculino (76,39%), a faixa etária de 50 a 54 anos (9,4%). Houve predomínio dos acidentes classificados como leve (52,7%), do tipo de serpente botrópico (93,14%) e de picadas no pé (51,14%). A maioria dos pacientes receberam a soroterapia (93,38%) e o tempo de atendimento entre 1 e 3h foi predominante. A maioria dos casos evoluíram para cura (93,10%) enquanto 0,52% foram a óbito por animais peçonhentos. Discussão: Houve predominância de acidentes do tipo botrópico, perfil similar ao expresso no âmbito nacional. As notificações se mantiveram com média alta nos meses de janeiro a maio, correspondendo ao período chuvoso da região. A faixa etária economicamente ativa, entre 25 a 54 anos, predominou. A diferença entre os sexos foi demasiada e fundamenta-se na maior exposição dos homens no desempenho de atividades laborais que ocorrem nos locais de risco. A zona rural apresenta maior prevalência de casos, já que está relacionada com atividades associadas ao plantio e pecuária, que tendem a expor o indivíduo a um maior risco. Os membros inferiores são mais acessíveis a esses animais e isso somado ao fato de muitos trabalhadores não utilizarem equipamentos de proteção individual, aumenta o número de acidentes neste local. A maioria dos casos foi leve ou moderado e provavelmente está associado ao atendimento rápido, entre 1 a 3h, que também predominou nesta análise. Outra variável importante relacionada a esse bom prognóstico é a administração de soro antiofídico  em quase a totalidade dos atendimentos, o que certamente contribuiu para o baixo número de mortes e que só foi possível devido aos investimentos em pesquisa e confecção do soro antiofídico por parte do Governo Federal. Considerações Finais: A análise define  que a população mais acometida é o sexo masculino, adulto-jovem, trabalhador rural, logo devem ser direcionados esforços para educá-los, principalmente nos meses chuvosos, sobre a prevenção de acidentes com utilização dos equipamentos de proteção sobre a importância da busca de atendimento precoce. Ademais, houve correlação positiva entre investimento em pesquisa e evolução favorável das vítimas, o que justifica esforços direcionados à ciência.

Palavras-chave: Ofidismo. Mato Grosso. Epidemiologia.

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Publicado

16-08-2024

Como Citar

Bitanti, A., Silva, G. C. C., Ferrari, I. L. de C., Marcidelli, ulia G., Botelho, L. V., & Elias, R. M. (2024). PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO DOS ACIDENTES OFÍDICOS NO ESTADO DO MATO GROSSO. Anais Da Mostra Científica Do Programa De Interação Comunitária Do Curso De Medicina, 6. Recuperado de https://periodicos.univag.com.br/index.php/picmed/article/view/2615