CORPO, AUTONOMIA E INFORMAÇÃO: EDUCAÇÃO SEXUAL NO AMBIENTE ESCOLAR
Resumo
O presente trabalho apresenta as ações extensionistas realizadas por estudantes de Medicina, no âmbito do Programa Extensionista Integrador (PEI), voltadas à promoção da educação sexual entre adolescentes da Escola Estadual Irene Gomes de Campos, em Várzea Grande-MT. A adolescência é um período marcado por intensas transformações biopsicossociais, no qual o acesso à informação qualificada sobre sexualidade é essencial para a construção da autonomia, prevenção de agravos e desenvolvimento saudável.¹ Entretanto, observa-se ainda a persistência de tabus, silêncio familiar e lacunas no ambiente escolar, contribuindo para vulnerabilidades como gravidez precoce, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e baixa autoestima.² Na escola e na Unidade de Saúde da Família Maria Galdina da Silva, identificaram-se dúvidas relacionadas ao ciclo menstrual, métodos contraceptivos e ISTs, além de casos recorrentes de gestação na adolescência, evidenciando a necessidade de intervenções educativas claras e acessíveis.³ Objetivo: Promover um espaço seguro de diálogo e reflexão crítica sobre sexualidade, fortalecendo a autonomia das adolescentes e ampliando o acesso ao conhecimento sobre saúde sexual e reprodutiva. Método: Utilizou-se o Arco de Maguerez como base metodológica, passando pela observação da realidade, definição de pontos-chave, teorização, formulação de hipóteses de solução e aplicação prática. Na fase inicial, identificou-se desinformação sobre temas essenciais da saúde reprodutiva. A teorização envolveu estudos sobre riscos da gestação precoce, ISTs e métodos contraceptivos. O planejamento utilizou o 5W2H, estruturando rodas de conversa com linguagem acessível, demonstração de contraceptivos, vídeos educativos e materiais impressos. Descrição: As ações ocorreram nos dias 21 e 28 de maio de 2025 com cerca de 50 adolescentes de 13 a 17 anos. As rodas de conversa abordaram ciclo menstrual, saúde reprodutiva, ISTs, contracepção e riscos da gestação na adolescência. As alunas demonstraram grande interesse, sobretudo em relação aos métodos contraceptivos e ao entendimento do ciclo menstrual. Também foram discutidos temas como pobreza menstrual e prevenção de ISTs, com demonstração prática de preservativos. Ao final, foram distribuídos QR Codes contendo uma cartilha digital e o aplicativo Flo, para monitoramento do ciclo. Considerações Finais: O projeto proporcionou impacto positivo na promoção da autonomia, no esclarecimento de dúvidas e na redução de tabus relacionados à sexualidade feminina. A ação demonstrou que estratégias dialógicas, acessíveis e baseadas em evidências são essenciais para promover saúde pública, fortalecer atitudes responsáveis e ampliar o autocuidado entre adolescentes. Além de beneficiar as estudantes, a intervenção contribuiu de forma significativa para a formação humanizada dos acadêmicos de Medicina. Recomenda-se manter ações contínuas de educação sexual no ambiente escolar, em parceria com a Atenção Primária à Saúde.
Palavras-chave: Educação sexual. Adolescência. Promoção da saúde. Saúde reprodutiva.